Por muito tempo, segurança na mineração e na metalurgia foi tratada quase só como segurança do trabalho, o controle do risco individual (a queda, o atropelamento, o esmagamento). Esses riscos continuam reais e importantes, mas existe uma segunda categoria que o setor passou a reconhecer com atenção: o acidente de processo, aquele que não fere uma pessoa por vez, e sim libera energia ou substância em escala capaz de atingir a planta inteira, a comunidade e o meio ambiente.
Por que mineração e metais entraram na agenda da segurança de processos
Uma operação de mineração e metais concentra justamente os ingredientes que a segurança de processos existe para gerenciar: grandes inventários de energia e de massa, reagentes perigosos (ácidos, cianeto, explosivos), altos-fornos e metal fundido, gases tóxicos e inflamáveis, poeira metálica combustível e processos a alta pressão e alta temperatura. São plantas em que uma falha pode não se limitar a um trabalhador, mas escalar para um evento maior.
No Brasil, tragédias como Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ainda que de natureza geotécnica (rompimento de barragens de rejeito), expuseram um padrão que a segurança de processos conhece bem: um evento de baixa probabilidade e consequência altíssima, no qual várias barreiras deveriam ter atuado e não atuaram, e cujas causas raiz estavam no sistema de gestão, não em um único erro operacional.
Esse reconhecimento empurrou o setor a adotar a mesma lógica de barreiras e de gerenciamento de riscos maiores que a indústria química e de óleo e gás já havia consolidado. Foi nesse movimento que a CCPS e, no Brasil, o IBRAM passaram a escrever especificamente sobre segurança de processos para mineração e metais.
A monografia da CCPS sobre mineração, minerais e metais
A CCPS (Center for Chemical Process Safety), braço da AIChE que define boa parte das boas práticas mundiais em segurança de processos, desenvolveu uma monografia dedicada ao setor de mineração, minerais e metais (Mining, Minerals, and Metals). O documento reconhece que o setor tem perigos de processo próprios e que o arcabouço clássico precisa ser traduzido para a realidade dessas operações.
A espinha dorsal é o RBPS (Risk Based Process Safety), o modelo de gestão da CCPS organizado em pilares e elementos (compromisso com a segurança de processos, entendimento de perigos e riscos, gestão do risco e aprendizado com a experiência). A monografia mostra como esses elementos se aplicam a moinhos, fornos, lixiviação, fundição e demais processos típicos, dando ao setor um vocabulário e uma estrutura comuns.
As diretrizes do IBRAM para o Brasil
No Brasil, o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) publicou em 2025 as Diretrizes para Segurança de Processo na Mineração, trazendo a discussão para o contexto nacional e para a realidade regulatória e operacional das mineradoras brasileiras.
O valor desse material é prático: ele nacionaliza os conceitos, aproxima a segurança de processos da linguagem do setor mineral brasileiro e sinaliza que gerenciar riscos maiores deixou de ser uma recomendação externa para se tornar expectativa do próprio setor.
ICMM e worldsteel: referências setoriais que reforçam a prevenção
Além da CCPS e do IBRAM, duas referências setoriais reforçam a mesma direção. O ICMM (International Council on Mining and Metals) desenvolveu o Critical Control Management, metodologia que trata exatamente da identificação e da verificação dos controles críticos, ou seja, as barreiras que impedem que um evento de alto potencial evolua para uma catástrofe.
Já a worldsteel (World Steel Association) consolida princípios de segurança e saúde para a siderurgia, orientando a gestão de risco nas usinas e a prevenção dos acidentes graves típicos do setor. Juntas, CCPS, IBRAM, ICMM e worldsteel formam um conjunto coerente de boas práticas para mineração, siderurgia e metais, todas convergindo para a mesma ideia: gerenciar barreiras dentro de um sistema estruturado.
Os riscos de processo típicos do setor
Entre os perigos de processo mais presentes estão: poeira combustível (metálica e de outros materiais) capaz de explodir quando dispersa e confinada; contato de metal fundido com água, que gera explosões de vapor violentas; química reativa de lixiviação, com ácidos, cianeto e oxidantes; gases tóxicos e asfixiantes (monóxido de carbono, dióxido de enxofre, gás sulfídrico); e sistemas a alta temperatura e alta pressão com grande energia armazenada.
O traço comum é que nenhum deles se controla por atenção individual. Todos exigem barreiras projetadas, mantidas e verificadas, e um sistema de gestão que garanta que essas barreiras estejam íntegras quando forem necessárias.
Como estruturar segurança de processos em uma operação de mineração ou metais
O caminho é o mesmo que consolidamos em outros setores, começando pela identificação de perigos e evoluindo para as análises mais avançadas. Um HAZID mapeia os perigos maiores da instalação, um HAZOP examina desvios de processo linha a linha, a LOPA verifica se as camadas de proteção são suficientes para cada cenário crítico e o bowtie comunica, de forma visual, ameaças, barreiras e consequências.
Tudo isso, porém, só entrega valor sustentável quando está dentro de um sistema de gestão de segurança de processos, no espírito do RBPS da CCPS, das diretrizes do IBRAM e do Critical Control Management do ICMM. É esse sistema que garante integridade mecânica, gestão de mudanças, investigação de incidentes e aprendizado contínuo, transformando análises pontuais em prevenção permanente.
Como a PSM Expert apoia o setor de mineração e metais
A PSM Expert é uma empresa de engenharia especializada em segurança de processos e aplica, na mineração e nos metais, exatamente o arcabouço que CCPS, IBRAM, ICMM e worldsteel recomendam: estudos de risco (HAZID, HAZOP, LOPA, bowtie), avaliação de integridade de barreiras e controles críticos e apoio à implantação de um sistema de gestão de segurança de processos aderente ao setor.
Se a sua operação quer sair da abordagem puramente ocupacional e estruturar a prevenção de acidentes maiores, essa é a conversa que conduzimos.
Sua operação de mineração, siderurgia ou metais precisa estruturar a prevenção de acidentes maiores? Fale com a PSM Expert e leve a segurança de processos para dentro da sua gestão de risco.
Referências
- CCPS, monografia Process Safety in the Mining, Minerals, and Metals Industries. aiche.org/ccps
- IBRAM, Diretrizes para Segurança de Processo na Mineração, 2025. ibram.org.br
- ICMM, Critical Control Management (International Council on Mining and Metals). icmm.com
- worldsteel, Safety and Health Principles (World Steel Association). worldsteel.org
- CCPS, Risk Based Process Safety (RBPS). aiche.org/ccps




